Pochmann zera salários de servidores do IBGE
Dias parados de agosto e setembro foram abatidos de uma vez na folha de outubro.

O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, determinou que os dias não trabalhados nas greves de agosto e setembro fossem descontados de forma integral na folha de outubro, o que levou dezenas de servidores a receber contracheques zerados. O efeito foi sentido em várias regiões, sobretudo na Bahia, onde a adesão foi mais alta, segundo relatos de servidores.
Áreas do governo pediram que os cortes fossem suspensos nos dias que antecederam o segundo turno do pleito; versões apontam a atuação conjunta das pastas de Planejamento e de Gestão com o MGI, enquanto outra indica apenas o MGI. A presidência do instituto manteve o procedimento. Em nota, o IBGE afirmou que "tem autonomia institucional e atua em conformidade com as normas e orientações aplicáveis à Administração Pública Federal. O Instituto seguiu as orientações do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), estabelecidas pela instrução normativa SRT/MGI Nº 49."
A Secretaria da Presidência da República e o senador Paulo Paim enviaram pedidos para a retomada das negociações, sem resposta efetiva do instituto, de acordo com o sindicato. A entidade relata que Pochmann não recebeu a atual direção sindical e acusa a cúpula do IBGE de dificultar as tratativas e impor novas exigências.
O sindicato informa que contestou administrativamente os descontos e, conforme versões, já ingressou na Justiça ou avalia fazê-lo. A entidade diz que os servidores foram prejudicados pela cobrança em parcela única e menciona o Ofício nº 142130/2026, do MGI, que teria recomendado suspender os abatimentos. O IBGE comunicou que discussões sobre o tema ocorreriam apenas após o período de defeso eleitoral.
Na avaliação do sindicato, descontos por greve deveriam ser objeto de acordo ou de compensação negociada. Servidores afirmam que, em outros órgãos federais, são comuns parcelamentos ou arranjos de compensação. O IBGE é vinculado ao MGI e produz indicadores oficiais usados pelo governo e na elaboração do Orçamento federal.
O impasse ocorre em meio à campanha salarial da categoria. Pochmann esteve em viagem à Ásia durante a semana decisiva do processo eleitoral e retornou ao Brasil em 24 de outubro. Sem data marcada para nova mesa, servidores avaliam novas paralisações caso o diálogo não avance.
Especialistas citados avaliam que, sem acordo, a controvérsia pode ser judicializada na esfera federal.
Receba a MaxNewsletter
As notícias de política do dia, direto no seu e-mail. De graça.





