Flávio Bolsonaro diz que quer concorrer em 2030
Senador diz que pode concorrer e que o PL apresentará ação por abuso de poder econômico.

Em entrevistas em Miami, publicadas em 6/11, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) reconheceu não dispor de evidências de fraude no pleito de 25 de outubro, criticou o retorno do pai ao Brasil e afirmou mirar 2030. Disse que, enquanto o PL prepara uma iniciativa na Justiça Eleitoral contra a chapa Lula/Alckmin por suposto abuso de poder econômico, ele permanecerá nos Estados Unidos sem data para volta.
Ao ser questionado se possui provas, respondeu: “Não tenho” e, em outro momento, declarou: “Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”. Mesmo assim, sustentou que nem ele nem Lula poderiam dizer com certeza quem venceu e voltou a levantar suspeitas sobre a decisão que estendeu por duas horas o horário de votação. Kassio Nunes Marques, que preside o TSE, disse ter “absoluta segurança do processo eleitoral” e atestou a regularidade do pleito.
Segundo o senador, o partido apresentará pedido contra a coligação vencedora por suposto uso indevido da máquina pública. Entre os pontos citados por ele estão mudanças no Bolsa Família, o programa Pé‑de‑Meia Universitário e a promessa de transferir R$ 5.000 a microempreendedores individuais por meio de Pix. O TSE informou que a prorrogação do voto foi nacional e que a medida não alterou a totalização; tanto PL quanto PT solicitaram a extensão naquele dia.
No segundo turno, Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64,2 milhões) e Flávio, 48,21% (59,8 milhões), uma diferença de cerca de 4,4 milhões. Entre o primeiro e o segundo turnos, ambos cresceram: o petista somou mais 10,3 milhões de votos e o adversário, 3,7 milhões; houve ainda cerca de 3 milhões de eleitores adicionais e a quantidade de votos inválidos caiu em aproximadamente 1,8 milhão.
Flávio classificou o país como uma democracia incompleta, disse ver instituições “dominadas” pelo governo e defendeu a adoção de registro físico do voto. Apoiou o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, afirmando existir mais de cem pedidos parados sem pauta no Senado, e justificou sua saída: “Não vou legitimar processo ditatorial comandado pelo [ministro do STF] Alexandre de Moraes”. Para Kassio Nunes Marques, há “absoluta segurança do processo eleitoral”; a vitória de Lula foi reconhecida por mais de 100 países.
Ele afirmou que não retornará agora ao Brasil — “Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro” — e que tentará regularizar a situação migratória enquanto segue exercendo o mandato com participações virtuais quando possível. Recusou‑se a detalhar a logística da saída ou quem financiou a viagem — “Não vou falar sobre isso para ninguém” —, negou envolvimento de governos estrangeiros e disse viver de reservas formadas como parlamentar, empresário e advogado; citou que senadores recebem salário bruto na faixa de R$ 46 mil.
Foi mencionado o apoio logístico de um ex‑agente do Mossad, hipótese que ele rejeita ao negar vínculo com o governo israelense.
O senador disse mirar 2030 e que pode se lançar ao Planalto se houver concordância do partido; caso Jair Bolsonaro volte a ter direitos políticos, “é o meu candidato”. Jair Bolsonaro está inelegível por decisão do TSE e tem condenação no STF relacionada à tentativa de golpe, com menções a pena de prisão em decisões judiciais. Segundo Flávio, aliados que reconheceram o resultado “têm medo” de se manifestar. Tarcísio de Freitas reconheceu a vitória de Lula, assim como Valdemar Costa Neto declarou que o PL admitiu o desfecho da eleição.
O próprio senador questionou o resultado — “Qual a garantia que tenho que não venci a eleição no primeiro turno?” — e voltou a dizer ser “matematicamente” inexplicável o desempenho de Lula.
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