Senado

Enquanto Alcolumbre acena à oposição, Marinho e Tereza disputam votos no Centrão

Eleição de 1º de fevereiro de 2027 opõe reeleição e direita, com promessa de candidatura única.

Redação MaxNewsletter

A campanha pela presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027, entrou em campo aberto. Davi Alcolumbre busca a recondução com apoio de partidos governistas e do centro, acenando à oposição com relatorias e comissões, enquanto Rogério Marinho e Tereza Cristina disputam apoios no Centrão e na direita com o compromisso de unificar a candidatura no momento oportuno.

Marinho foi lançado pelo PL em reunião na quarta-feira (4), em Brasília, com relatos que variam entre 31 e 33 senadores presentes, e recebeu o apoio declarado do Novo. Ele defende transparência na votação interna — “O voto aberto é recomendável e necessário” — e elevou o tom contra o governo e o STF: “Vão tentar comprar a consciência dos senhores, mas não vão conseguir” e “não vou me calar”. Marinho afirma ter mais de 40 votos, em outras falas diz ter cerca de 40, e promete atuar como contrapeso sem paralisar o governo.

Tereza Cristina mantém a candidatura pelo PP e costura apoios no Centrão, na bancada feminina e no agronegócio. Ela sinaliza convergência com Marinho: “Eu não enfrentarei o Rogério Marinho”. Ao mesmo tempo, tem declarado que dialoga com Alcolumbre — “Vou até pedir voto para o senador Davi Alcolumbre porque eu já disse a ele que ele precisava ter uma mulher como sucessora” — enquanto ambos, Tereza e Marinho, combinam medir forças em janeiro para evitar fragmentação.

Para ampliar sua base e reduzir resistências, Alcolumbre ofereceu a Tereza a relatoria da LDO de 2027, recusada por ela; na sequência, indicou Eduardo Gomes (PL-TO) para a função, como gesto à oposição. O presidente do Senado negocia ainda o comando de comissões, incluindo a CCJ, cadeira cobiçada por Arthur Lira (PP-AL), senador eleito e integrante da federação União-PP.

A federação União-PP anunciou apoio à recondução de Alcolumbre, e a liderança do PT indica tendência de apoiá-lo — “Pelo cenário que se apresenta, creio que o PT vai apoiar Alcolumbre”, disse Teresa Leitão —, mas a votação secreta pode produzir dissidências nas bancadas. Marinho, por sua vez, corteja PP e Republicanos e incentiva senadores de direita a divulgar publicamente seus votos para mitigar o sigilo.

Nos bastidores, houve desconforto em parte do PL com o método de lançamento de Marinho e com pressões de aliados para que Tereza desistisse. Flávio Bolsonaro, nos Estados Unidos, declarou apoio a Marinho e disse que cobrará votos de eleitos com apoio da família. Há relatos de que Alcolumbre teria prometido articular indulto ou anistia a Jair Bolsonaro em troca de apoio; aliados de Marinho rechaçaram a suposta oferta. O próprio Marinho pediu o fim de ataques à senadora: “Transformar isso em ataques ou constrangimentos não ajuda na construção de um entendimento”.

As contagens são disputadas. Aliados de Alcolumbre falam em 48 votos; projeções ligadas a Marinho também chegam a 48. O PL deve ter 28 ou 29 senadores na próxima legislatura, e o Novo, 3 — juntos, até 32. Em outra conta, União-PP, MDB, PSD e PSB somam 26, chegando a 37 com a federação do PT. A reunião do PL que lançou Marinho é citada como ocorrida na quarta (4), e outra versão fala em 04/10. Na memória recente, Alcolumbre venceu em 2019 com 42 votos; em 2021, Rodrigo Pacheco fez 57 a 21; em 2023, Pacheco superou Marinho por 49 a 32.

O voto é secreto, o que estimula contabilidade inflada, possível infidelidade partidária e a ideia, entre senadores de direita, de algum formato de voto aberto extraoficial.

No plenário, Alcolumbre tem buscado marcar posição contra a escalada de conflito: “A gente precisa respeitar todas as opiniões, o contraditório e as divergências. Mas está impossível!”. Entre promessas de contrapeso, acusações de cooptação e ofertas por espaços na Casa, a disputa pelos 41 votos necessários segue aberta.

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