Ameaças travam venda de água e mobilizam escolta policial no Ceará
Banabuiú, Fortaleza e outras cidades registram restrições; polícia apura extorsões.

A venda de água mineral em garrafões foi interrompida ou restringida em Banabuiú, Fortaleza e outros municípios do Ceará após ameaças e cobranças atribuídas ao Comando Vermelho. A Polícia Civil apura a autoria e o alcance dessas ordens; a PM reforçou o patrulhamento, e operações com escolta garantem o abastecimento à população.
O caso ganhou corpo em Banabuiú a partir de 19 de outubro, quando circulou o chamado "Edital Banabuiú" impondo autorização prévia e cobrança de taxas para a comercialização. Relatos colhidos pela investigação citam cobrança semanal em torno de R$ 750 e valores por garrafão. Diante do cenário, moradores passaram a comprar na Praça da Matriz com apoio da Prefeitura e da Cagece, sob forte presença policial. Foi fixado limite de dois garrafões de 20 litros por pessoa, ao preço de R$ 6 cada. O SAAE informou que a água encanada é potável, mas a preferência local recai sobre os garrafões.
Três suspeitos foram presos em 22 de outubro durante apuração de ameaças, extorsão e domínio social em Banabuiú; celulares, um revólver calibre 38, munições, notebook e dinheiro foram apreendidos. Segundo as autoridades, o suposto mandante é Mario Anderson Ferreira da Mota, o "Gargamel", apontado como frente da facção no município e atualmente foragido no Rio de Janeiro. Há pedidos de prisão preventiva para outros cinco investigados, e há cooperação com a Polícia Civil fluminense para localizá-lo.
Para evitar desabastecimento, a Cagece assumiu temporariamente a logística de coleta e transporte de garrafões com escolta. Cerca de mil unidades chegaram no dia 30 e outras duas mil entre 31 de outubro e 3 de novembro. Em 3 de novembro, ainda havia filas e compra concentrada na Praça da Matriz. No dia 4, a rotina começou a se normalizar com a retomada de entregas aos estabelecimentos, mas o reforço policial e o apoio logístico permanecem.
Em Fortaleza, circularam denúncias e comunicados atribuídos à facção determinando a paralisação de vendas em áreas específicas. Moradores relataram falta de produto na Comunidade Rosalina, no bairro Parque Dois Irmãos, e também em pontos do Passaré e do Manuel Dias Branco; outras fontes mencionaram Bela Vista e Panamericano. A SSPDS informou que a Draco conduz as apurações e que a PMCE atua de forma ostensiva, com suporte de inteligência, incentivando o registro de boletins para subsidiar as investigações. "Isso começou no dia 2 de novembro (...). O abastecimento já acabou lá no bairro", disse uma testemunha sob anonimato na Rosalina. Outra moradora resumiu: "Não estamos podendo comprar água para beber".
Em Meruoca, comerciantes suspenderam as vendas por medo, e parte dos moradores recorreu a poços e chafarizes. A água não é potável e precisa ser fervida antes do consumo, segundo os relatos. "As pessoas estão sem água (...). Quem não tem poço vai para o chafariz. Às vezes, no chafariz falta água e bebe do açude mesmo. E a água é imprópria, né?", relatou um morador, pedindo anonimato.
Moradores de Caridade também relataram dificuldade para acessar garrafões após ameaças. O município já havia sofrido, em 2025, ataques contra provedores de internet que afetaram a maior parte dos usuários. As autoridades locais afirmam que as ordens criminosas partiram do Rio de Janeiro.
Sobre as investigações, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social afirmou: "A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará ( SSPDS ) informa que a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) investiga a circulação em redes sociais de mensagens relacionadas a supostas ameaças e extorsões, nesta terça-feira (3). A SSPDS ressalta que os trabalhos investigativos são realizados pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas ( Draco ), unidade especializada da Polícia Civil. Equipes da Polícia Militar do Ceará ( PMCE ) realizam ações preventivas e ostensivas. Setores de Inteligência auxiliam os trabalhos policiais e direcionam as ações de policiais civi".
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