Tarcísio deve indicar Salles para a Justiça e Cidadania de SP
Movimento é associado ao acordo eleitoral de 2022 e a um secretariado mais político.

Ricardo Salles deve assumir a Justiça e Cidadania em São Paulo por indicação de Tarcísio de Freitas, em movimento associado à costura eleitoral de 2022 e à tentativa de dar um tom mais político ao núcleo do governo no próximo ciclo.
Aliados dos dois relatam que o anúncio é discutido e pode ocorrer nas próximas semanas, ficar para o ano que vem ou ser formalizado apenas em 2027, na largada do segundo mandato. Interlocutores mencionam reuniões e telefonemas na quarta (4) e na quinta (5) alinhando apoios e espaços.
Em 2022, Salles retirou a candidatura ao Senado na última semana, a pedido de Tarcísio, para fortalecer nomes do campo aliado — como os de André do Prado (PL) e de Guilherme Derrite (PP), que acabaram eleitos. Naquele momento, Salles declarou: "O momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes, têm que ser deixadas de lado […]. Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior". Tarcísio, por sua vez, afirmou: "Hoje, a gente tem o Ricardo Salles, que tinha toda a legitimidade para continuar na sua caminhada […], dando um passo ao lado para nos ajudar, para somar". Meses antes, Salles fora multado pelo TRE-SP por vídeo contra André do Prado.
A sinalização atual é lida por aliados como desdobramento político daquela decisão, embora Tarcísio e Salles neguem que tenha havido promessa de cargo em 2022. A ideia do governador é montar um time mais político sem abrir mão de perfis técnicos, aproximando PP, MDB e Podemos; em reunião recente, segundo relato do presidente do PP em SP, Mauricio Neves, ele defendeu o papel de Ciro Nogueira: "Ele disse que Ciro vai ser fundamental na construção de projetos futuros, pelo conhecimento que ele tem de Congresso, pela potência que ele tem". O pano de fundo é a consolidação de uma base mais ampla e a possibilidade de uma disputa nacional em 2030.
Se a troca avançar, Arthur Lima, atual titular da Justiça e ex-chefe da Casa Civil, pode ser deslocado. Nos bastidores, é visto como de perfil burocrático e teve seu nome ligado a uma offshore nas Bahamas; por ora, não há definição sobre seu destino no governo.
Com passagem pela Esplanada, Salles integrou o governo Jair Bolsonaro como ministro do Meio Ambiente e já chefiou a secretaria paulista da área na gestão Geraldo Alckmin. Ele é réu no STF em ação que o acusa de facilitar comércio ilegal de madeira; o deputado nega ter cometido irregularidades.
Em defesa da pauta de menos entraves, declarou, sobre a reunião ministerial de 22 de abril de 2020: "O Brasil é o inferno do empreendedor, é o país que torna a vida de todo mundo uma verdadeira via-crúcis quando se trata de licenças, de autorizações, regras absurdas, tributação absurda e foi isso que eu disse naquela reunião e continuo dizendo" e também: "Nós temos que desburocratizar regras contraditórias no Brasil, não só no meio ambiente, mas em todas as matérias, tornar o empreendedorismo, o investimento, coisa que possa ser feita com menos óbices formais".
A chegada de Salles pode tensionar a relação com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), com quem tem histórico de atritos e a quem já chamou de ícone do centrão, enquanto aliados o veem como potencial candidato à Prefeitura de São Paulo em 2028. Tarcísio já declarou apoio a Nunes.
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