Caso Master

Fachin homologa delação de fundador da Reag que pode rastrear R$ 20 bi de Vorcaro

Acordo fechado com a PGR prevê multa de R$ 40 mi e 17 anexos; indícios alcançam ativos no exterior.

Redação MaxNewsletter

O presidente do STF, Edson Fachin, homologou nesta sexta (6/11) o acordo de colaboração de João Carlos Mansur, que fundou e comandou a Reag Investimentos, no inquérito do Caso Master que mira Daniel Vorcaro. A decisão, sob sigilo, autoriza o uso do material para novas diligências e para tentar recuperar valores.

O termo, fechado com a Procuradoria-Geral, impõe a Mansur multa de R$ 40 milhões e entrega 17 frentes de colaboração com documentos e relatos. Segundo a acusação, o colaborador apresentou elementos que detalham crimes atribuídos a Vorcaro e indicam rotas para localizar aproximadamente R$ 20 bilhões ligados a ele, inclusive fora do país. O pacto estava submetido à validação desde o fim de agosto ou início de setembro — os relatos divergem — e tramitou em segredo.

A Polícia Federal investiga que fundos geridos pela Reag teriam servido para engordar artificialmente o patrimônio do Banco Master e para disfarçar pagamentos, entre eles propinas que seriam de interesse de Vorcaro a autoridades. Para os investigadores, parte relevante do dinheiro do esquema circulou no exterior. A homologação permite cruzar o que foi dito com quebras de sigilo, pedidos de cooperação internacional e buscas de ativos.

A Reag foi colocada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em janeiro por “graves violações” às regras do sistema financeiro. O Banco Master também foi liquidado no início do ano, de acordo com algumas fontes. No mesmo mês, Mansur foi alvo de buscas no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes atribuídas ao Master e à Reag. A gestora ainda é investigada na Operação Carbono Oculto, por suposta lavagem de até R$ 1 bilhão para o PCC, segundo a PF.

A colaboração foi negociada pelo Ministério Público sem participação da PF, de acordo com relatos, e recebeu tratamento acelerado no Supremo a pedido da Procuradoria, que apontou risco de dissipação de bens. O acordo chegou a ser remetido ao ministro André Mendonça, então relator do inquérito, mas Fachin assumiu decisões no caso em meio a uma crise interna. Em 29 de outubro, ele manteve consigo a condução por 90 dias; há, porém, versões que o apontam como relator do processo.

Os anexos, conforme fontes que acompanharam o caso, citam políticos e ex-dirigentes. Há menção a Jaques Wagner e a ACM Neto. Ao confirmar contratos com o Master e a Reag, ACM Neto afirmou que “não envolveram qualquer tipo de irregularidade”. A PF também apura possível ocultação de pagamentos em imóveis em favor de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e investiga a tentativa de aquisição do banco brasiliense.

Daniel Vorcaro está preso, ele cumpre a detenção em Brasília desde março deste ano.

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